O avanço acelerado da Inteligência Artificial está redefinindo as bases da cibersegurança. Se antes a ferramenta se restringia a scripts rígidos e tarefas repetitivas, a emergência da IA Agêntica capaz de executar ações de forma autônoma impõe um novo desafio aos times de SI: até onde vai a automação e onde começa a autonomia real dos sistemas?
O tema esteve no centro dos debates do Security Leaders Brasília, em painel focado no impacto da IA na força de trabalho e na proteção de infraestruturas críticas. A discussão abordou como a substituição e o auxílio no Nível 1 de atendimento estão liberando profissionais para atividades estratégicas, enquanto exigem novas barreiras de controle.
Com a gestão de 4,8 mil serviços digitais utilizados por 173 milhões de brasileiros no governo federal, o volume de dados torna inviável a atuação puramente humana. A automação do N1 surge como único caminho para viabilizar o monitoramento constante e a triagem de incidentes.
“A automação do Nível 1 de serviço já é uma realidade para monitoramento, alertas e correlação de possíveis incidentes. Isso libera os times para um trabalho decisório e de threat hunting, investigando ameaças com mais qualidade. O ponto de atenção central é definir os guardrails e garantir o humano no circuito para acompanhar esses scripts sem perder o contexto.”, destaca Leonardo Ferreira, Diretor de Privacidade e Segurança da Informação do Ministério da Gestão e Inovação (MGI).
A expansão da autonomia, no entanto, expõe a fronteira entre eficiência e gestão de riscos. Em operações de grande escala e utilidade pública, decisões automatizadas sem supervisão podem gerar falsos positivos com impactos severos.
“Ao adotar agentes de IA, o aumento da governança precisa ser proporcional, na equação entre eficiência, autonomia e governança, a resultante é a confiança. Sem governança, a confiança vira risco. A IA atua com agilidade sobre dados massivos, mas a decisão final e o julgamento permanecem com o ser humano. A inteligência artificial não responde juridicamente ou operacionalmente, quem responde é a instituição”, analisa Ronan Couto, Cybersecurity Team Manager da Caixa Econômica Federal.
No desenvolvimento de software, a adoção massiva de IA generativa pelas áreas de negócio para a criação de códigos acelera entregas, mas traz vulnerabilidades quando não alinhada aos preceitos de Security by Design. A resposta passa pela implementação de governança preventiva desde os primeiros requisitos de software, além da aplicação da própria IA para varredura de falhas e testes estáticos e dinâmicos (SAST e DAST) antes da implantação.
Para responder a essas transformações, o setor público investe no desenvolvimento de capacidades soberanas. Projetos focados na segurança da IA, uso ofensivo e defensivo de agentes e caça automatizada de ameaças marcam a evolução das estratégias de defesa.
“O medo é um mecanismo de defesa válido, afinal, uma decisão errada de uma IA pode parar um hospital ou um serviço essencial”, pontua Richard Pistori, Gerente de Divisão de Cibersegurança do BBTS. “A governança não deve funcionar como um freio que paralisa a adoção, mas como um trilho indicando o caminho seguro. Historicamente, quem ignorou inovações como a eletricidade ou a internet ficou para trás, o desafio atual é adotar a IA com a devida responsabilidade.”
O Painel de Debates “Quando o ataque escala: fraudes digitais e o risco sistêmico dos ecossistemas digitais” foi apresentado no Security Leaders Brasília, que abriu a série de eventos regionais de 2026. A partir de agosto, o maior e mais qualificado evento de Cibersegurança do país seguirá com a sua caravana por um périplo entre as capitais nordestinas de Recife, Salvador e Fortaleza, enquanto aquece os motores para o Security Leaders Nacional, nos dias 21 e 22 de outubro. Acompanhe as atualizações sobre os próximos eventos no portal do Security Leaders.



