O mercado brasileiro terá uma nova opção de tratamento para o diabetes tipo 2 e obesidade. A Hypera Pharma divulgou o nome comercial de sua caneta de semaglutida sintética, o Semavy, que está aguardando o registro sanitário da Anvisa. Até o momento, a única versão sintética aprovada da semaglutida no país é o Ozivy, também conhecido como o “Ozempic brasileiro”.

Para a Dra. Karla Adriana, médica do Núcleo GA, a chegada de uma semaglutida produzida por uma indústria nacional é um avanço significativo para a saúde no Brasil. “Ter uma molécula como a semaglutida sendo produzida por uma indústria nacional amplia as possibilidades de acesso ao tratamento e fortalece a capacidade tecnológica do país. Além disso, a maior disponibilidade tende a contribuir para um abastecimento mais estável e ampliar as opções terapêuticas disponíveis para médicos e pacientes“, destaca.

Embora o registro inicial do Semavy seja para o tratamento do diabetes tipo 2, a especialista explica que isso não impede o uso da medicação em outras condições com respaldo científico consistente. “É importante esclarecer que existe o chamado uso off label. Isso significa que um medicamento aprovado para uma determinada doença pode ser prescrito para outra indicação quando há evidências científicas robustas demonstrando eficácia e segurança. É exatamente o que acontece hoje com a semaglutida, que, apesar de algumas apresentações terem a indicação em bula para diabetes, a molécula possui ampla comprovação científica para o tratamento da obesidade, permitindo que o médico faça essa prescrição de forma ética e responsável“, explica.

A médica enfatiza, no entanto, que o uso off label deve ser sempre individualizado e realizado sob acompanhamento médico. “Todo medicamento deve ser utilizado após uma avaliação clínica criteriosa. O tratamento da obesidade vai muito além da prescrição de uma caneta. Envolve investigação das causas do ganho de peso, estratégia, preservação da massa muscular, prática de atividade física e acompanhamento contínuo. A medicação é uma ferramenta importante, mas faz parte de um plano multidisciplinar muito mais abrangente“.

Evolução

De acordo com a Dra. Karla, o lançamento evidencia a evolução das terapias para doenças metabólicas, porém não substitui a necessidade de uma abordagem personalizada. “O paciente deve compreender que não há um tratamento único para todos. Antes de iniciar qualquer terapia, é essencial confirmar o diagnóstico, utilizar medicamentos de origem confiável e manter acompanhamento médico especializado. A escolha da melhor opção deve levar em consideração o perfil metabólico de cada pessoa, sempre com ênfase na segurança, na eficácia e na melhor evidência científica disponível“, conclui.


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