Com chances reais de fazer história à frente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) de Pernambuco, caso seja a primeira mulher eleita presidente da instituição em 100 anos, a candidata a presidente Hilda Gomes iniciou ontem (8), em Petrolina, uma intensa agenda que se estenderá nesta terça-feira (9). Na pauta, encontros com profissionais da área para apresentar propostas voltadas ao fortalecimento do Conselho. Entre os principais temas defendidos pela candidata está a ampliação da presença do CREA-PE no Interior do Estado, a partir do reforço na estrutura de fiscalização.

Em entrevista a este Blog, Hilda destaca que sua prioridade será reconstruir o CREA-PE em todos os sentidos – tanto a estrutura física, cuja sede atualmente se encontra abandonada na Avenida Agamenon Magalhães, quanto no que se refere à democracia.

Sobretudo em relação a esse último quesito, a candidata espera priorizar sua eventual gestão na busca de um resgate do papel do Conselho. “Queremos que o CREA-PE volte novamente a ser um órgão que chegue perto dos profissionais e das empresas, além das associações e sindicatos que fazem o Conselho”, frisou.

Hilda citou, entre outras bandeiras, a interação com profissionais do Interior do Estado. Em Petrolina, por exemplo, ela reconhece como “justas” as críticas dos engenheiros agrônomos, que reclamam do distanciamento do CREA-PE em fiscalizar o exercício da profissão contra profissionais não regularizados. “Eles cobram uma fiscalização, mas não uma fiscalização punitiva, e sim educativa. Porque isso é uma obrigação do CREA-PE, para que tenhamos mais empregos para nossos profissionais, porque a partir de você fiscalizar que o exercício da profissão seja feito por um profissional capacitado, você está abrindo o mercado e protegendo a sociedade”, afirmou Hilda.

Inovação

Ela lembrou que, atualmente, o CREA-PE dispõe de apenas 23 fiscais para todo o Estado. “Ou seja, algo deixa de ser fiscalizado”, reconheceu. Diante desse cenário, Hilda destacou a necessidade de inovar como forma de agilizar a fiscalização, citando a Inteligência Artificial (IA) como uma ferramenta importante para auxiliar nesse trabalho.

A candidata também admite que a instituição perdeu o protagonismo no decorrer das décadas, que passa inevitavelmente pela valorização financeira. Ela revelou que os engenheiros estão sendo contratados por órgão públicos como analistas, para não pagarem o piso de engenheiro, e essa situação precisa mudar. “É fácil? Não é. Porém, para se conseguir é preciso união, de profissionais e de empresários, chamar todos os CREAs, porque tem que passar por lei, pelo Congresso (o pagamento do piso)”, avaliou. Ela também destacou que cobrará mais ensino físico da profissão e menos à distância (EaD).

Hilda aproveitou para convocar a categoria a participar em peso da eleição do CREA-PE, que está marcada para o próximo dia 3 de julho.


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