A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve discutir, no próximo dia 29, uma proposta de instrução normativa que estabelece novos procedimentos e requisitos técnicos para a manipulação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
A medida integra um plano de ação anunciado recentemente pela agência, que reúne estratégias regulatórias e de fiscalização voltadas ao controle desse tipo de medicamento. A proposta prevê regras mais rígidas em toda a cadeia de produção, incluindo importação, qualificação de fornecedores, realização de testes de controle de qualidade, estudos de estabilidade, além de normas para armazenamento e transporte dos chamados Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).
Nos últimos anos, a popularização de substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida ampliou significativamente a procura por esses medicamentos, especialmente para fins de emagrecimento. Esse cenário também favoreceu o crescimento do mercado ilegal, com a circulação de produtos irregulares e versões manipuladas sem autorização. Atualmente, esses medicamentos só podem ser adquiridos mediante receita médica com retenção, justamente por apresentarem riscos quando utilizados sem acompanhamento profissional.
Como forma de reforçar o controle sanitário, a Anvisa instituiu dois grupos de trabalho com participação do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO). Esses grupos têm como objetivo apoiar tecnicamente as ações da agência, acompanhar a implementação do plano e propor melhorias para garantir mais segurança aos pacientes.
Além disso, a Anvisa e os conselhos profissionais firmaram uma carta de intenção para promover o uso racional e seguro das canetas emagrecedoras, com foco na troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas voltadas à população.
Recentemente, a agência também determinou a apreensão dos produtos Gluconex e Tirzedral, que vinham sendo divulgados na internet como medicamentos injetáveis de GLP-1. Segundo a Anvisa, os itens não possuem registro, notificação ou cadastro e são de origem desconhecida, o que impede qualquer garantia sobre sua qualidade e segurança. Por esse motivo, o órgão reforça que esses produtos não devem ser utilizados em nenhuma hipótese. (Fonte: Agência Brasil)



