Passados mais de dois meses desde o encerramento das atividades da empresa IGA — que atuava na cogestão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em Juazeiro —, dezenas de pais e mães de família continuam sem ver a cor do dinheiro que arrecadaram com o próprio suor. Ex-funcionários voltaram a procurar o Portal Preto no Branco para denunciar o atraso vergonhoso no pagamento das verbas rescisórias e dos dias trabalhados antes do distrato, assinado ainda no dia 10 de abril.
Até o momento, nem a rescisão contratual e nem os salários referentes aos 10 dias trabalhados em abril foram pagos. O sentimento entre os trabalhadores é de abandono e revolta diante do silêncio ensurdecedor dos envolvidos.
“Sou um dos motoristas contratados pela IGA. Até hoje não recebi o dinheiro da rescisão. Já fui ao Ministério do Trabalho e nenhuma resposta foi dada até o momento. Não tomam uma providência contra a empresa que deixou muitos trabalhadores na mão. Estamos precisando desse dinheiro”, desabafa, indignado, um ex-funcionário.
A maior queixa dos profissionais, além da falta do dinheiro que lhes é de direito, é a total ausência de posicionamento e empatia por parte dos órgãos responsáveis. Enquanto as contas acumulam e as despesas básicas apertam o orçamento familiar, os envolvidos parecem ignorar a gravidade da situação.
“A empresa IGA, o Ministério do Trabalho e a prefeitura se calaram sobre essa situação. Ninguém se manifesta ou se posiciona sobre os pagamentos. A demora tem causado graves dificuldades financeiras para diversas famílias que dependiam desses valores para honrar compromissos e colocar comida na mesa”, relata outro profissional prejudicado.
O pretexto da burocracia
Em maio, após as primeiras cobranças, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) justificou a trava nos pagamentos alegando que estava realizando um “encontro de contas” com a IGA, afirmando que o procedimento era “indispensável para a correta apuração de valores“. À época, a pasta garantiu que os repasses só seriam feitos após essa validação. No entanto, a burocracia governamental e o “rigor técnico” alegados pela prefeitura não pagam as contas de quem trabalhou e cumpriu com suas obrigações na ponta do sistema de saúde.



