A disputa é saudável. O debate é fundamental. É assim que se constrói democracia.
O problema não é a contenda. O problema é o planejamento.
Raquel errou na gestão. Deixou tudo para o último minuto. E quem está na liderança precisa ter um caminho claro. Sem contratempos. Sem mudanças de rota de última hora.
Em Pernambuco, era de conhecimento geral: a maioria dos eleitores de Raquel preferiam Miguel. Por outro lado, também sabíamos que Eduardo era o líder mais influente dentro do partido.
Nessa situação, Raquel deveria ter negociado antes. Planejado antes. Evitado expor tensões em um momento que deveria ser de união.
Na eleição passada, ela já teve confrontos com Miguel e com Eduardo. Agora, devido à demora em tomar uma posição, desagradará a ambos.
Na disputa, as pessoas amam a traição e odeiam o traidor. E é essa a imagem que permanece: de uma líder que deixou dois líderes em conflito sem tentar mediar.
Miguel reconheceu sua derrota. Mas em uma guerra, não se vence derrubando um rei do trono. O verdadeiro triunfo está em desarmar o exército. E isso não aconteceu. Os coelhos estão prontos, com o exército pronto para o discurso de “traído duas vezes”.
Analisando de forma imparcial: Eduardo entra fragilizado pela divisão na disputa. Não superará Humberto. Não superará Marília. Falta unidade para quebrar a bolha partidária e avançar em águas turbulentas.
Assim, o desfecho é previsível. Eduardo pode desistir devido ao pouco tempo de campanha. Miguel não retornará à batalha.
E Raquel, por não ter aplicado a estratégia certa, segue sozinha para o confronto de 2026.
João Campos sai vitorioso da batalha sem usar nenhum aparato bélico. Apenas com a habilidade de antecipar os acontecimentos e a sabedoria de jogar o tabuleiro adversário através de aliados no time oposto.
Tercio Tolentino.



