O São João de Petrolina 2026 promete movimentar R$ 350 milhões na economia local e atrair turistas de todo o Brasil. Porém, por trás dos brilhantes palcos, os bastidores das contratações públicas chamam a atenção pelo alto valor envolvido e pela repetição de nomes no comando da infraestrutura.
A montagem da estrutura gigantesca no Pátio de Eventos Ana das Carrancas, que inclui som, palco, iluminação e a exploração lucrativa de camarotes, foi realizada pela empresa vencedora da Concorrência Eletrônica nº 017/2024.
O contrato abrange as edições de 2025 e 2026, com uma outorga de aproximadamente R$ 7 milhões pagos pela empresa ao município pelo direito de exploração comercial do espaço. No entanto, relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) apontam que a empresa vencedora pertence ao mesmo grupo econômico da JCMB Locações, que dominou as licitações juninas nos anos anteriores (2023-2024). A prática de “revezamento” entre empresas do mesmo grupo está sendo monitorada pelos órgãos de controle, mesmo que o certame tenha sido homologado para garantir a realização da festa.
Enquanto a estrutura é gerida pela iniciativa privada por concessão, os cachês das grandes estrelas são pagos diretamente pelos cofres públicos. Para 2026, a Prefeitura de Petrolina planeja investir mais de R$ 13 milhões apenas na grade artística principal.
Entre os nomes confirmados e as estimativas de mercado baseadas em contratos recentes, destacam-se Gusttavo Lima e Wesley Safadão, com cachês que podem chegar a R$ 1 milhão e R$ 700 mil por apresentação, respectivamente, e Henrique e Juliano, um dos shows mais caros da atualidade, com uma estimativa de R$ 500 mil.
Neste ano, o São João de Petrolina traz a novidade de Marisa Monte dividindo o palco com João Gomes, apostando na diversidade musical para atrair diferentes públicos.
O Ministério Público de Contas tem recomendado cautela e moderação nos gastos. Em abril de 2026, novas recomendações foram feitas para que a prefeitura priorize a transparência nos pagamentos aos subcontratados da estrutura, visando evitar o que chamam de “monopólio velado” na execução do evento. Enquanto a polêmica se desenrola nos tribunais, o Pátio Ana das Carrancas já está ansioso pelo início da festa.



